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    Uso do hífen: como e quando usar conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

    02 de junho de 2020 4 min de leituraPor Meu Redator
    Uso do hífen: como e quando usar conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

    Você certamente já leu ou ouviu sobre a mudança ortográfica ocorrida na Língua Portuguesa ou, em outras palavras, sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Trata-se de um acordo assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, mais tarde, por Timor Leste – todos os países citados possuem a língua portuguesa como idioma oficial. 

    O Novo Acordo veio para substituir o Formulário Ortográfico de 1943, definindo novas regras ortográficas para a língua portuguesa, comumente chamadas de nova ortografia ou ortografia oficial. No Brasil, o referido Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995.

    A principal intenção do Novo Acordo Ortográfico objetiva unificar a escrita nos diversos países falantes do idioma português. Em vigor no Brasil desde 2009, o seu uso, no entanto, passou a ser obrigatório a partir do dia primeiro de janeiro de 2016.

    O Acordo firmado é meramente ortográfico. Isso significa que as mudanças se restringem à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Além disso, o documento não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas configura um passo importante em direção à pretendida unificação ortográfica desses países.

    As mudanças – algumas simples, outras mais complexas – afetaram muitos vocábulos. Por isso, para o post de hoje, escolhemos uma das mudanças mais significativas causadas pelo Novo Acordo, além de ser um dos aspectos que mais gera dúvidas entre os redatores: o emprego do hífen. Assim sendo, apresentaremos algumas regras e exemplos da utilização correta do hífen, de forma didática e esclarecedora, todos em conformidade com o Novo Acordo. Confira as seis regras abaixo, e elimine todas as suas dúvidas quanto à hifenização.

     

    Primeira regra:

    Com prefixos (como anti, pré, pró, macro, micro, super…), usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.

    Exemplos:

    anti-herói

    anti-higiênico

    anti-histórico

    co-herdeiro

    extra-humano

    macro-história

    mini-hotel

    pró-hidrotópico

    proto-história

    sobre-humano

    super-homem

    ultra-humano

     

    Há, no entanto, uma exceção a esta regra: a palavra subumano (nesse caso, a palavra humano perde a letra h).

     

    Segunda regra: 

    Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.

    Exemplos:

    antiibérico

    antiimperialista

    antiinflamatório

    arquiinimigo

    autoobservação

    contraalmirante

    contraataque

    microondas

    microônibus

    microorganismo

    miniinstrumento

    semiintensivo

     

    Terceira regra:

    Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.

    Exemplos:

    hiperrealista

    hiperrequintado

    interracial

    interregional

    pannacionalismo

    subbibliotecário

    superracista

    superreacionário

    superresistente

    superromântico

     

    Quarta regra

    Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. 

    Exemplos:

    além-mar

    além-túmulo

    aquém-mar

    ex-aluno

    ex-diretor

    ex-hospedeiro

    ex-namorada

    ex-presidente

    pós-graduação

    pré-história

    pré-vestibular

    pró-labore

    recém-casado

    recém-nascido

    sem-teto

    sem-terra

     

    Quinta regra

    Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim

    Exemplos: 

    abaré-guaçu

    amoré-guaçu

    anajá-mirim

    andá-açu

    capim-açu

    Ceará-Mirim

    ingá-mirim

    Piranhas-Açu

     

    Sexta regra

    Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. 

    Exemplos: 

    a dicotomia teoria-prática

    a ponte Rio-Niterói

    o clássico Brasil-Argentina

    o eixo Rio-São Paulo

    o lema Liberdade-Igualdade-Fraternidade

    o percurso Lisboa-Coimbra-Porto

     

    Observações importantes

    • Em casos de prefixos terminados em consoante e sucedidos por palavras que iniciam com uma consoante diferente, não utilizamos o hífen.

    Exemplos: 

    hipermercado

    intermunicipal

    superinteressante

    superproteção.

     

    • Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r.

    Exemplos: 

    subregião

    subramal

    subraça

    subreitor

    subrogado

    subreptício

     

    • Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal.

    Exemplos:

    circumauricular

    circumnavegação

    circummurado

    panarabismo

    panamericano 

    panmágico

     

    Curtiu? As regras parecem um pouco complicadas, mas com a prática escrita é muito fácil para assimilar cada um dos casos que apresentamos. E não hesite em voltar para cá e revisitar o nosso texto se por acaso a dúvida “será que tem hífen?” surgir.

     

    Escrito por:

    professor joao Uso do hífen: como e quando usar conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

     

    João Paulo Vicente Prilla
    Professor de Língua Portuguesa e Literatura

     

     

     

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