Produtora de conteúdo: um espaço no mercado de trabalho para a mulher
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As mulheres, muitas vezes, passam por dificuldades ao tentarem se inserir no mercado de trabalho formal. Então, será que ser produtora de conteúdo pode ser uma solução para ultrapassar certas barreiras que elas ainda enfrentam na nossa sociedade?

Um levantamento realizado pela FGV, aqui no Brasil, publicado em 2016, observou que, após o período da licença-maternidade, metade delas são demitidas de seus empregos. As desculpas dos empregadores giram em torno do mesmo assunto: receio da nova mãe atrapalhar a produtividade da empresa, com faltas e atrasos, por causa da nova responsabilidade.

Vamos conversar mais sobre esse assunto? Continue a leitura!

Quais as diferenças existentes no mercado de trabalho?

Não podemos negar que, ao longo de tantas lutas para conseguir mais igualdade nos direitos, a sociedade teve muitos ganhos e superações. Algumas leis foram derrubadas, outras criadas. Temos agora mais normas protetoras do que antigamente, com certeza. Mas será que realmente existe igualdade quando comparamos as dificuldades que homens e mulheres enfrentam?

Uma pesquisa realizada pela Catho, em 2018, teve a curiosidade de saber a proporção dos trabalhadores que precisaram deixar o mercado de trabalho em razão dos filhos (de qualquer idade, sem levar em conta a licença-maternidade). O resultado foi: 30% das mulheres e 7% dos homens.

O mesmo levantamento também descobriu outro detalhe interessante: mesmo a maioria das mulheres empregadas tendo maior grau de escolaridade que os homens, elas ainda recebem salários menores.

A  OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2018, também fez uma pesquisa comparativa e percebeu que, de 1991 para cá, a desigualdade no trabalho entre homens e mulheres quase não caiu. Além disso, as que mais sentem essas diferenças são mães com filhos menores de 6 anos.

No entanto, ainda que seja relativamente menos difícil voltar ao mercado depois das crianças já crescidas, como conseguir bons cargos depois de ficar tanto tempo por fora?

Ser freelancer ou empreender pode facilitar, então?

Segundo pesquisa feita em 2019 por uma plataforma freelancer, sim. A empresa levantou um questionamento sobre quais perguntas são feitas às pessoas em uma entrevista de emprego formal ou antes de um acordo freelance.

Mulheres responderam que, em 87% das situações para trabalho convencional, foram questionadas em relação a filhos. Por outro lado, 82% delas disseram que esse assunto nem foi mencionado durante o pedido de freelas.

O mesmo levantamento também concluiu outro fato: elas têm mais sucesso em uma recontratação de projeto freelance do que eles, com resultados de 35% e 20%, respectivamente. Além disso, 38% delas afirmou que a remuneração vinda desse tipo de trabalho informal é a principal fonte de renda da família.

O empreendedorismo feminino também nos mostra mais otimismo. A Serasa Experian revelou que as mulheres são sócias de 43% dos negócios no Brasil, e a maior parte, 98,5%, atua como MEI ou em micro e pequenas empresas.

Nos EUA, essa também parece ser a solução para combater um pouco as dificuldades que o sexo feminino costuma ter. Lá, as mulheres representam a maioria do mercado informal. A flexibilidade nos horários, a independência em relação a escritórios tradicionais (podendo exercer as atividade home office) e a possibilidade de viajar mais são apontados como os principais motivos.

Ou seja, temos muitos dados, não só aqui no país, que nos mostram um novo padrão sendo adotado. As mulheres querem participar mais ativamente da renda familiar e construir autonomia. E como a forma tradicional de emprego nem sempre é amigável a elas, uma saída encontrada é construir a própria carreira por outros métodos, como o empreendedorismo ou freelance, sendo a produção de conteúdo uma alternativa.

Mas você sabe o que um produtor de conteúdos faz? Vamos responder nas linhas a seguir.

Produtoras de conteúdo que fazem sucesso

Um produtor de conteúdo é qualquer pessoa que saiba criar e espalhar conhecimentos relevantes por meio de textos ou vídeos. Podem ser conhecidos, ainda, como influenciadores digitais, quando trabalham pela internet. Um redator freelancer pode ser considerado um produtor de conteúdo, mas também existem outros tipos.

No Brasil, temos vários exemplos de mulheres produtoras de conteúdo que inspiram e fazem sucesso. Elas começaram expressando opiniões e passando informações, por meio de canais da web. Hoje, contam com diversos seguidores que as apoiam e consomem seus conteúdos postados frequentemente.

Camila Coutinho

Camila começou com o blog Garotas Estúpidas, falando sobre moda, de maneira despretensiosa. A ideia, no início, era apenas compartilhar curiosidades e conhecimentos sobre esse assunto e postar novidades de celebridades. Ela tinha 18 anos na época e ainda era uma estudante de design.

Hoje, com 31 anos, Camila passou de produtora de conteúdos para empreendedora. Lidera duas marcas separadas ─ a do blog e a do seu próprio nome ─ e conta com ajuda de 6 pessoas em sua equipe.

Em entrevista para o ClicRBS, ela conta que não liga para a concorrência que tem. Acredita, inclusive, que isso seja importante para ajudar a pessoa a buscar um diferencial, e completa:

“… no meu caso, eu gosto muito dessa parte de marketing e criação de conteúdo mesmo, é o que eu gosto de fazer, é no que eu aposto”.

Karol Pinheiro

Karol Pinheiro começou escrevendo para uma revista com foco em adolescentes. Com o objetivo de viver seus sonhos mais de perto, resolveu criar um blog e produzir conteúdos por conta própria.

Pensou em desistir no começo, ao não ver retorno financeiro. Mas, com o tempo, percebeu que seu negócio estava dando certo. Hoje, está presente em todos os canais e, só no YouTube, tem mais de 1 milhão de seguidores.

Seu público é formado por adolescentes e jovens e, nas suas postagens, dá dicas sobre cuidados e beleza. Para entregar sempre algo relevante, ela realiza pesquisas frequentes, a fim de entender melhor os hábitos e preferências de sua audiência.

Cecília Dassi

Se você acompanhava as novelas na TV brasileira, nos anos 90, deve se lembrar de uma garotinha de olhos azuis. Hoje, Cecília trocou a carreira de atriz para se dedicar à psicologia. Nos seus canais (Instagram e YouTube), ela distribui conteúdos em vídeos a seus seguidores.

Os temas são importantes e relacionados a tudo que envolve nossas vidas: comportamento, equilíbrio, felicidade, empatia, relacionamentos, preconceitos etc. Em 2018, foi chamada para participar do famoso evento TEDxTalks, no Brasil.

Natály Neri

Natály Neri se declara mulher negra e feminista. É produtora do seu canal, no YouTube, “Afros e Afins”, no qual conta com mais de 500 mil inscritos.

Seu objetivo, com os conteúdos, é abrir a consciência da população e debater sobre as dificuldades das mulheres negras. Os temas variam entre racismo, cotas, beleza, maquiagem, cabelo e moda.

Em 2018, Natály lançou um documentário intitulado “Negritudes Brasileiras”, em que fala sobre a descoberta da identidade negra no Brasil.

Bem, poderíamos mencionar ainda uma infinidade de exemplos de boas conteudistas e empreendedoras. Mas o fato é que com a oportunidade de ter mais flexibilidade, autonomia e trabalhar diretamente com aquilo que gosta, a mulher tem conseguido espaço e sucesso atuando como produtora de conteúdo.

Quer descobrir mais sobre começar nessa carreira sendo redatora freelancer? Acesse nosso próximo artigo!